A proposta chegou com três itens e um preço. Quanto disso o Google pede?
Quem dirige uma empresa B2B já recebeu a mensagem. Um fornecedor promete deixar o site "pronto para a IA": um arquivo novo na raiz do domínio, marcação especial nas páginas, textos reescritos em blocos curtos e um pacote de menções em outros sites. Tudo com nome em inglês e prazo de entrega.
A dúvida do decisor é simples e quase nunca é respondida com clareza. Se o Google passou a responder perguntas com resumos de IA, o que o site precisa ter para aparecer ali, e o que é só mais uma linha na fatura?
O que o Google diz, em palavras dele
Em julho de 2026, o Google atualizou o guia que a equipe de Search Central publica para donos de site sobre os recursos de IA generativa da busca, como as visões gerais criadas por IA e o modo de IA. A posição central é que as boas práticas de SEO (otimização para mecanismos de busca) continuam valendo, porque esses recursos funcionam em cima dos mesmos sistemas de classificação e qualidade da busca comum. Segundo o guia, o recurso busca páginas relevantes no índice do Google, resume o que encontrou e mostra links para as páginas de apoio. Para responder uma pergunta, ele também pode disparar outras buscas relacionadas.
Fonte: Google Search Central - Guide to optimizing for generative AI features on Google Search
O guia traz uma lista do que o dono do site não precisa fazer. Não é preciso criar arquivos como o llms.txt ou outros arquivos feitos para IA: o Google diz que a busca não os usa, que criá-los é opcional e que eles não ajudam nem atrapalham a visibilidade. Também não é preciso marcação estruturada nem schema especial para IA, nem dividir o conteúdo em pedaços pequenos, nem escrever num estilo próprio para IA, nem buscar menções artificiais pela web. Para o Google, os termos AEO e GEO, usados por fornecedores para vender "otimização para IA", são apenas SEO.
Duas ressalvas ajudam a ler isso com precisão. O guia fala do Google Search, não de outros assistentes de IA, então não serve como regra para tudo o que aparece nos aplicativos de conversa. E é a posição do próprio Google sobre os próprios sistemas, o que é uma fonte forte para saber o que ele pede, mas não uma garantia de resultado: o guia diz que cumprir todos os requisitos não assegura que a página seja rastreada, indexada ou exibida.
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Por que as soluções óbvias não resolvem
Diante de um mercado confuso, três reações aparecem quase sempre:
Contratar o pacote de "otimização para IA", com arquivos e marcações novas, esperando que isso substitua o que o site já deveria ter. Reescrever o site inteiro em frases curtas e blocos pensados para uma máquina ler. Comprar menções e citações em outros sites para parecer mais citável.
As três tratam o sintoma. A primeira põe dinheiro em itens que o Google diz não usar. A segunda ignora que o guia pede conteúdo escrito para quem lê, com títulos e parágrafos claros, e não um formato exclusivo para IA. A terceira esbarra no que o próprio guia afirma: menções inautênticas não funcionam bem, porque os sistemas de classificação e de combate a spam trabalham contra elas.
O que resolve: acesso, conteúdo próprio e medição
A saída é separar o que o Google pede do que ele dispensa, e investir primeiro no que ele pede. O guia pode ser lido em três frentes, e a tabela abaixo as organiza com o que cada uma dispensa:
| Frente | O que o Google pede | O que o Google dispensa |
|---|---|---|
| Acesso | Página rastreável, indexada e elegível a mostrar trecho, com o site incluído nos recursos de IA no Search Console | Arquivos próprios para IA, como o llms.txt |
| Conteúdo | Texto original, com conhecimento e experiência de quem escreve, e não uma reciclagem do que já existe | Estilo de escrita só para IA, blocos mínimos, caça a toda variação de pergunta |
| Estrutura | Títulos, parágrafos e seções claros para quem lê, boas práticas com JavaScript, carregamento rápido | Schema e marcação especiais para IA (a marcação comum continua útil para outros fins) |
| Medição | Acompanhar o desempenho nos recursos de IA pelo relatório do Search Console | Ferramentas que prometem enxergar os sistemas internos do Google |
Fonte: Google Search Central - Guide to optimizing for generative AI features on Google Search. A coluna "o que o Google pede" resume o guia. A organização por frentes é método nosso.
Com as frentes separadas, falta saber se o seu site está nelas. Dois conjuntos de sinais ajudam a decidir:
Sinal de que o site está no caminho certo:
- As páginas de serviço e os artigos principais aparecem como indexados no Search Console.
- Cada página importante diz algo que só a empresa sabe, como um critério, um dado próprio ou um caso real.
- O relatório de IA generativa está sendo acompanhado, com uma linha de base registrada.
Sinal de que o dinheiro está indo para o lugar errado:
- O orçamento de "IA" foi para arquivos e marcações que ninguém consegue ligar a uma exigência do Google.
- As páginas principais repetem o que qualquer concorrente também diz.
- Ninguém sabe se o site está indexado nem onde olhar isso.
Na prática, a ordem de trabalho é sempre a mesma:
1. Acesso -> conferir se a página é indexada 2. Conteúdo -> escrever o que só a empresa sabe 3. Medição -> acompanhar no Search Console
O primeiro passo é o mais barato e o mais revelador:
A lógica de tudo isso cabe numa frase:
Aparecer na resposta de IA do Google começa por ser lido, e só depois por ser citado.
Como aplicar
Um gestor consegue executar isso no próximo mês, com o que já tem em mãos:
- Confirme que o site está verificado no Search Console. Sem isso, não existe diagnóstico, e qualquer conversa sobre "visibilidade em IA" fica sem número.
- Liste as páginas que sustentam a venda (serviços, casos, artigos mais lidos) e veja, no Search Console, se cada uma está indexada. Anote as que não estão e o motivo informado.
- Abra o relatório de desempenho em IA generativa e registre a situação atual como linha de base. É com ele que você vai comparar o antes e o depois de qualquer mudança.
- Pegue a proposta do fornecedor e classifique cada item em uma de três colunas: o Google pede, o Google dispensa, ou serve a outro objetivo (a marcação estruturada comum, por exemplo, continua útil para outros recursos da busca). Pague primeiro pelo que cai na primeira coluna.
- Revise as cinco páginas mais importantes e acrescente em cada uma aquilo que só a empresa tem: um critério de decisão, um dado próprio, um exemplo de cliente com autorização. Em paralelo, peça à equipe técnica que confira o carregamento e a renderização das páginas que dependem de JavaScript.
- Volte ao relatório depois de algumas semanas, compare com a linha de base e só então decida o próximo investimento.
O que você não consegue fazer sozinho
Até aqui, tudo é método. O que trava, na prática, mora em três decisões que raramente têm dono dentro da empresa.
Separar o que é exigência do Google do que é opinião de fornecedor, o que pede leitura técnica de indexação, renderização e arquitetura do site, e não só de um relatório bonito.
Produzir conteúdo que o guia chama de não comum, porque isso depende de gente da empresa com conhecimento de verdade, e quem tem esse conhecimento (comercial, atendimento, entrega) raramente tem tempo ou prática de escrever.
Ler a medição com cuidado: o relatório do Search Console mostra o desempenho no Google, não em outros assistentes de IA, e o ganho de uma mudança leva tempo para aparecer. Quem decide cedo demais acaba trocando de fornecedor, e não de estratégia.
O custo de errar aparece devagar. O orçamento vai para itens que o Google diz não usar, enquanto o básico (acesso, conteúdo próprio, medição) segue pendente, e a empresa só descobre isso quando já gastou o trimestre.
Primeiro ser lido, depois ser citado
O que o guia descreve não é uma disciplina nova com nome novo. É a mesma base de sempre, aplicada a uma nova vitrine: site acessível, conteúdo que diz algo próprio, medição honesta. Quem faz isso bem não precisa de pacote, e quem compra pacote sem isso paga por uma promessa que o Google diz não usar.
Quanto do que a sua empresa paga hoje para "aparecer na IA" é exigência do Google, e quanto é opinião de fornecedor?
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Leia também: O que faz uma marca aparecer nas respostas de IA


